sábado, 14 de maio de 2011

O Gala do Píer! Sambódromo terá seu primeiro camarote gay!


Coluna publicada na coluna Bruno Astudo de 5 de março

A primeira impressão de quem chegava ao Baile de Gala da Cidade do Rio de Janeiro, quinta-feira, no Cais do Porto era um enorme ponto de interrogação: “onde é que eu vim amarrar a minha mula?”. Afinal, não tem gala ou glamour que resistam a uma fila interminável, que desembocava num ponto de ônibus, que só então levaria os convidados ao salão em si.

Mas nem sempre é a primeira que fica, pois, ao chegar à festa, as pessoas se extasiavam com a belíssima decoração em homenagem a Burle Marx, ícone da beleza carioca, e, tal e qual um jardim do grande mestre, não faltaram ali flores e alegria. O Gala veio em boa hora para o Rio, que andava muito carente de festas divertidas no circuito off-bloco e Sambódromo.

Se a ideia era retomar o glamour dos bailes de outrora, a lista ficou bem balanceada: ao lado de legítimos representantes daqueles tempos, testemunhas da era de ouro, cabecinhas brancas e corações apaixonados, via-se também a nova geração de estrelas da cidade, como Jesus Luz, Lise Grendene, Daniella e Flávio Sarahyba (ela, de chifrinhos vermelhos e capa preta), entre tantos.  Lá pelas tantas chegou um bloco de beldades paulistanas escalado por Fernandinha Barbosa.

"Estou muito feliz. O Carnaval da cidade maravilhosa foi aberto em grande estilo com esse baile: organização impecável, banheiros limpos, ar-condicionado na medida certa, nenhuma confusão", disse à coluna o prefeito Eduardo Paes.

O alcaide, aliás, era um dos mais animados e protagonizou dancinhas a bordo de um chamoso chapéu panamá. Eis que de repente, todos os olhos se voltam para uma senhora distinta, que foi recebida na entrada do espaço vip com todas as honras e que a grande maioria achou que fosse ninguém menos que Dilma Rousseff. Flashes espocavam, os seguranças não sabiam o que fazer, mas não era Sua Excelência, e sim Hilneth Correia, colunista de Natal que é a ca-ra de Dilma. "Nossa, parece mesmo", atestou Paes.

"Todo mundo me diz isso. Quando faço o cabelo, como hoje, acho que fico mesmo parecida com ela. Hoje já veio gente me dizer que eu era muito simples e que jamais imaginava me ver num baile de Carnaval sem nenhum segurança", divertia-se Hilneth, que  em seguida pediu uma foto com o prefeito e foi atendida na hora.

A mesma sorte não teve Ariadna, a transex e ex- integrante do 'Big Brother'. Ao pedir a um fotógrafo que perguntasse a Roberta Close se poderia fazer uma foto ao lado dela, viu La Close sair de fininho sem conseguir o clique. Tensão...

O traje pedido era branco – tudo a ver com o Rio, show -, mas muita gente foi fantasiada, o que contribui para deixar o salão incrível. Algumas lulus estavam vestidas de bailarinas - é o efeito 'Cisne Negro' lançando tendência. A mais-mais era a da repórter da TV Globo Monica Sanches - que arrasou num tutu armadíssimo da loja Corpo e Dança, de uma das figurinistas do Theatro Municipal."Pouca gente sabe, mas fui bailarina por nove anos", contava ela.

No quesito originalidade, não teve para ninguém: Vik Muniz levou o prêmio. O artista plástico estava irreconhecível fantasiado de Andy Warhol - com direito a peruca branca e câmera. Completamente avesso à ideologia do rei da pop art, ele passou incógnito, sem os seus 15 minutos de fama.

Também de peruca estava Carmen D'Alessio, que era parada a todo instante por amigos preocupados com a recuperação de sua mão, cortada por uma taça depois de um tombo na festa de Réveillon de Henrique Pinto. "Estou bem. E adorei que aqui as taças são de plástico. Se eu levar um tombo, não corro o risco de me cortar", brincava ela. Carmen, positivamente, não existe.  

Lá pelas tantas, um boato dava conta de que Alinne Moraes teria feito como Vik Muniz, e circulava despercebida com uma máscara que tapava todo o rosto, ao lado da amiga Lise Grendene. Os fotógrafos das revistas de celebridades começaram uma caçada implacável em busca da suposta mascarada, mas não era Alinne. "É lenda, gente, ela não veio não", esclarecia Lise.    

Bela também estava Adriana Alves de Oliveira, nome da época de miss, que resolveu resgatar, depois que uma numeróloga disse que 2011 era o seu ano. A ex-Cacciola levou o charuto, companheiro inseparável, para a festa, mas ficou discreta, louca para dar uns tragos, mas só fez pose e respeitou a etiqueta ‘não fume’, embora muitos não estivessem nem aí para a proibição. Adriana acaba de chegar de Dubai, onde exerce sua nova profissão: alugar apartamentos deluxe para turistas. 

O único estresse partiu de um folião que mandou um dos anfitriões para aquele lugar, mas a vítima, como sempre elegante, fingiu que não ouviu e continuou se divertindo. Palmas, por favor.

O neo-solteiro Luis Felipe Reif, ex- noivo da atriz Isis Valverde, foi o guapo mais assediado pelas lulus.  Depois de engatar conversas ao pé do ouvido, o bonitón deixou a festa com uma bela morena.

Se alguém ainda duvidava, chegou a hora da verdade: o jogador de pólo João Paulo Ganon e Lívia Torres, embaixadora do pólo feminino no Rio e ex-mulher de Carlos Augisto Montenegro, presidente do Ibope, estão mesmo juntos. Ela, vestida de mulher das galáxias – definição da própria – passou o baile inteiro junto de Ganon, com direito a mãos dadas, dancinhas marcadas, tudo no maior clima. Será amor de Carnaval? Só o tempo dirá...

Pela primeira vez, o Sambódromo vai ganhar um camarote exclusivamente gay. É o Candy Box, no Setor 2, bem pertinho da comissão julgadora, onde o espetáculo acontece com intensidade.

Os idealizadores Guilherme Barros, Mickael Noah e Marcela Souza, do escritório de comunicação Super QG, colocaram à disposição 100 ingressos desde outubro e, no meio de janeiro, estavam sem nada. Eles divulgaram a ideia num site internacional e 40% dos compradores são gringos endinheirados ávidos para ver os corpos esculturais na passarela do samba.

O primeiro lote saiu a R$ 3.500 e o último a R$ 4.900, por pessoa, cada dia. As bees poderosas terão mimos à altura, como transporte até o local, bebida e comida à vontade, dois DJs que vão animar a pista nos intervalos das escolas, ar condicionado potente, um lounge para namorar sem discrição, três linhas telefônicas para atender aos turistas, incluindo Brasil, EUA e Inglaterra, e funcionários bilíngues - que foram treinados e contratados só depois de responderem positivamente à pergunta: "Você é gay friendly?"

"Queremos dar um atendimento que não é comum para um evento gay no rio. Não existem opções de luxo para esse público na avenida", diz Guilherme, que convidou muita gente para se misturar à farra pink, como Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Fernanda Paes Leme, entre tantos.

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