coluna dia 4 de abril
Leiloca teve a boa ideia de reunir as Frenéticas - Lidoka, Dhu Moraes, Regina Chaves e Edir de Castro (só faltou Sandra Pêra, que está com peça de teatro em Sampa) – e muitos amigos para assistirem juntos ao programa 'Por Toda Minha Vida', sexta, no restaurante Mormaço, no Jardim Botânico. A atração homenageou os seis pares de pernas que ferveram a boate Frenetic Dancing Days, idealizada por Nelson Motta nos anos 70.
O clima era de festa, mas uma mistura de tensão e emoção tomou conta antes da projeção em uma enorme TV, já que nem as verdadeiras e nem as atrizes que as interpretaram tinham visto absolutamente nada. Aliás, as meninas escolhidas a dedo para interpretar o grupo eram as mais ansiosas, numa mesa ao fundo: Lis Maia (Leiloca), Gabrielle Lopez (Lidoka), Corina Sabbas (Dhu), Denise Spíndola (Edir), Flávia Rubim (Regina) e Nina Morena (Sandra).
AS JOVENS FRENÉTICAS. Leiloca e Lis, a original e a cover, tiveram uma sintonia tão grande que chegaram juntas ao evento. "Essa é meu clone. Na chamada da tevê, você não sabia se era eu ou ela", dizia, abraçando a atriz. Uma das mais emocionadas e empolgadas era Nina Morena, sobrinha da frenética Sandra Pêra, filha de Marília com Nelson Motta, que mal disfarçou a alegria e lágrimas em certos momentos.
Quem fez a seleção de elenco foi Esperança Motta, sua irmã, que não via a semelhança física entre Sandra e Nina. Ela fez o teste para interpretar Regina e fez um escovão para ficar com os cabelos lisos, mas, quando o diretor Ricardo Waddington bateu o olho, não teve dúvidas e disse que ela tinha que ser Sandra.
"A história delas faz parte da minha vida, da minha família. O DNA apita e eu queria muito pegar esse papel, mas não tive privilégios na seleção. Sempre achei que me pareço mais com titia, sou alta, grandona e animada, já minha mãe é mais reservada. Li duas vezes o livro da titia, 'As Tais Frenéticas'", conta Nina, que, depois do primeiro capítulo, recebeu o telefonema da mãe, toda boba, que assistia a tudo de casa - Marília deu depoimentos para o programa, assim como Ney Matogrosso, Liminha, Lulu Santos (autor do tremendo sucesso 'Dancin’ Days'), Nelson Motta, Dom Pepe, o DJ da época, entre outros.
Flavia Rubim, que fez a frenética Regina, chegou com o novo namorado, o músico Thiago Antunes. É a primeira aparição do casal em público, com demonstrações claras daquela paixão de início de romance. Thiago é ex-marido da Regiane Alves, e Flavia, que já namorou o próprio Waddington, está no elenco da próxima novela das seis, 'Cordel Encantado'.
As atrizes contavam que tiveram pouco contato com as originais, para não interferir na performance, e preferiram fazer pesquisa de época no conteúdo de oito DVDs entregues pela central de pesquisas da Rede Globo, de programas como Chacrinha e Globo de Ouro. Elas estudaram durante 10 dias e gravaram outros 10.
O ator Fellipe Marques, que interpretou Nelson Motta, ganhou o apelido de Nelsinho, tanto das amigas de cena quanto pelas veteranas, e também de uma fã em especial, Rogéria, que ficou encantada com o rapaz. "Nem eu sabia que era tão parecido. Quando vi as fotos da época e o vídeo, fiquei impressionado. Fiz pesquisas principalmente das entrevistas do Nelson, pegar o jeito de olhar, o charme e trejeitos", contou Fellipe, que é amigo de Nina há mais de 10 anos.
MODELITOS. Os figurinos de Claudia Kopke foram um capítulo à parte; Nina contou que a tia guardou todo o vestuário usado na época e levou as peças para Claudia, que estudou os tecidos até reproduzir fielmente vários modelitos espalhafatosos - maiô Catalina, lurex, estampas de cobra e muito brilho, reflexo da era pós-ditadura . Foi Marília Pêra quem desenhou o primeiro figurino das meninas e também quem aprovou os looks de Claudia.
CORO. Durante a exibição, a plateia reagia intensamente a certas cenas, cantavam todas as músicas e davam gritinhos. Leiloca chegou a chorar na passagem em que as cantoras, em excursão pelo País, chegaram ao sertão nordestino e ela, louca de vontade de fazer um pipi, parou em um casebre de barro e ouviu de longe um dos sucessos tocando. Quando bateram à porta, viram seis crianças vestidas de Frenéticas fazendo uma farra e ficaram emocionadíssimas.
O sucesso do programa não foi só durante a reunião entre elas. na madrugada de sábado, estava entre os trending toppings do Twitter, com vários comentários, elogios rasgados e muita nostalgia, com pessoas de todas as faixas etárias postando trechos das músicas mais famosas.
ALEGRIA, ALEGRIA. "Não sinto nostalgia, sinto alegria", dizia a amiga Rogéria, relembrando as noites intermináveis na pista da boate. "Tenho verdadeiro horror a música eletrônica, mas não existe festa sem as Frenéticas ou 'I Will Survive'. Curti muito aquela época, que já era uma alegria só, imagina depois da ditadura? Daí a loucura, meu bem, ficou muito maior".
“CAQUÉTICAS”. Leiloca contava que tem muita gente ligando para agendar shows das Frenéticas depois desse boom discoteca. Momento de risada geral foi quando Leiloca disse, no programa, que as Frenéticas viraram as “Caquéticas”. Ela usava uma bota exageradamente alta e florida: "Uma homenagem a Sandra (Pêra) que não pode vir hoje".
A BIOGRAFIA DE ROGÉRIA. "Sou de uma época em que chique era morrer como Marylin Monroe e James Dean, porque todo mundo só se lembra do glamour. Sempre pensei que comigo seria assim, mas agora estou muito velha pra morrer, com 68 anos. E, quando artista envelhece, ninguém mais se lembra", disse Rogéria, um pouco nostálgica. Perguntada sobre o que anda fazendo, ela diz que tem “muitos compromissos, entre coquetéis e festas para escolher” e que pretende lançar uma espécie de biografia. Já está atrás de um ghost-writer... É dura a vida da bailarina. Beijo, me liga, até amanhã.
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