coluna 13 de abril
Elke – Maravilha, claro, existe outra? – foi a grande aparição do coquetel de divulgação dos finalistas do Grande Prêmio do Cinema, segunda, no Caroline Café, no Jardim Botânico. Em sua 10ª edição, o evento entregará o Troféu Grande Otelo dia 31 de maio, no Teatro João Caetano. ‘Chico Xavier’ e ‘Tropa de Elite 2’ receberam o maior número de indicações, 16 cada. Além do voto dos integrantes da Academia Brasileira de Cinema, o público também poderá escolher seus prediletos.
Elke soube, através da coluna, de sua indicação a melhor atriz coadjuvante por ‘Suprema Felicidade’, filme de Arnaldo Jabor. A ficha demorou a cair para a atriz, que interpretou a avó de Paulo, personagem principal do longa: “Estou passada e muito feliz. Adorei fazer o filme, o Jabor é brilhante. Nunca quis ser mãe, nem na vida real”.
Antes de encontrar a turma do cinema, no segundo andar do restaurante, Elke sentou com amigos, fumou dois cigarros, tomou uma vodca e ainda falou grego – no sentido literal mesmo –, ensinando a pronúncia certa da língua milenar. “Sou vira-lata, nasci na Rússia, tenho pai alemão e descendência viking, mas de coração sou mineira de Itabira, terra de Carlos Drummond de Andrade”.
Perguntada sobre a saúde – ela foi internada com arritmia cardíaca no Hospital São Lucas por 11 dias, em meados de março – a diva diz que está nova em folha e que a doença é congênita. “Fiquei 30 anos curada, depois que fiz radiestesia com um guia espiritual, mas o efeito passou”, suspirou. Ela atribui a recente crise à falta de energia cósmica “e isso não há médico científico que cure”.
Elke se prepara para filmar dois longas este ano, ‘A ilusão salva a raça humana’, com roteiro e direção de Bia Guedes, em que interpreta a mãe do personagem de Rodrigo Santoro (“uma cigana do bem”); e ‘Gato Preto’, com direção de Clébio Ribeiro, com locações no Ceará, interpretando uma ‘cigana do mal’, ao lado de Ney Matogrosso e Emiliano Queiroz.
Quem circulava por ali também era Cacá Diegues, produtor do indicado ‘5 x Favela – agora por nós mesmos’. Ele contava que, no fim do ano, começa a gravar seu próximo longa, ‘O Grande Circo Místico’ baseado no poema de Jorge de Lima, com músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. “Nunca vi um momento tão fértil e rico como esse com novos cineastas, novas gerações. Só posso estar muito otimista”.
Os olhos da noite estavam voltados para Lucy e Luiz Carlos Barreto, que têm mais de 80 filmes no currículo e são os grandes homenageados do GP de cinema. Eles foram os primeiros a chegar e últimos a sair da festa. Quando Barretão pegou o microfone, o balde de água fria caiu. “É uma tristeza comemorar 23% de market share atualmente, quando na década de 70 tínhamos 33%. Quero que os novos cineastas se incorporem na corrente para exigir do governo meios para fazer a nossa cultura”, disse, reclamando da burocracia para se fazer um filme no País.
“A Ancine (Agência Nacional do Cinema) parece uma delegacia de polícia, sempre atrás dos crimes dos cineastas”, disparou, causando uma saia justa entre os presentes, incluindo Mario Diamante, diretor da Ancine. “É ruim ser homenageado e desagradável como agora, mas não posso ser hipócrita”, desculpava-se, enquanto os aplausos bombavam.
A poeira baixou e Barretão descobriu a bela Tainá Müller, indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante em ‘Tropa de Elite 2’, e sucesso na novela ‘Insensato Coração’, como a frívola e antipática Paula Cortez. O cineasta perguntava para os assessores e a quem estava por perto quem era a garota. Não satisfeito, pegou a máquina de uma das fotógrafas e começou a fazer ângulos da atriz, que posava, muito sem graça e honrada ao mesmo tempo. “Ela é moderna, é linda, essa menina é deslumbrante”, dizia Barretão, que, se falou, tá falado.
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