Não tenho culpa. As melhores histórias, pelo menos as que eu presencio nos ônibus, são as coisas mais interessantes que acontecem ultimamente em minha vida. E olha que eu costumava ter uma vida emocionante... Estava eu na linha 438 – Leblon x Vila Isabel – quando sinto um burburinho de umas passageiras que sentaram próximas ao motorista. Meire, o nome da dita, reclamava que o senhor ao volante parava em todos os pontos enrolando a viagem dos trabalhadores que iriam, ainda, para a Baixada e redondezas. Pelo que me concerne, ônibus param em paradas de ônibus. Redundâncias à parte, o comandante do veículo ignorou Meire – ela era ruiva, estava com um tubinho preto e salto altíssimo. Visualmente não parecia daquelas moças propícias a barracos gratuitos – as aparências enganam.
Em certo ponto, subiu uma adolescente que presenciou a fúria da ruiva e disse que aquilo não era táxi – não diretamente, claro. Me diz, pra quê? Mexeu com os brios da fofa. Até a mãe tentou acalmá-la, no que ela, aos berros, dizia, “mãe, não queria falar alto, mas a senhora é surda. Esse cara não sabe que eu trabalho na secretaria municipal de trânsito!”. Pegou um bloquinho e anotou o número do carro. Preciso dizer que ela desceu para pegar outro coletivo para Duque de Caxias? E ainda fez um sinal para a menina – tipo, uma trolha bem grande... Visualizou?



