sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mais uma no coletivo

Não tenho culpa. As melhores histórias, pelo menos as que eu presencio nos ônibus, são as coisas mais interessantes que acontecem ultimamente em minha vida. E olha que eu costumava ter uma vida emocionante... Estava eu na linha 438 – Leblon x Vila Isabel – quando sinto um burburinho de umas passageiras que sentaram próximas ao motorista. Meire, o nome da dita, reclamava que o senhor ao volante parava em todos os pontos enrolando a viagem dos trabalhadores que iriam, ainda, para a Baixada e redondezas. Pelo que me concerne, ônibus param em paradas de ônibus. Redundâncias à parte, o comandante do veículo ignorou Meire – ela era ruiva, estava com um tubinho preto e salto altíssimo. Visualmente não parecia daquelas moças propícias a barracos gratuitos – as aparências enganam. 

Em certo ponto, subiu uma adolescente que presenciou a fúria da ruiva e disse que aquilo não era táxi – não diretamente, claro. Me diz, pra quê? Mexeu com os brios da fofa. Até a mãe tentou acalmá-la, no que ela, aos berros, dizia, “mãe, não queria falar alto, mas a senhora é surda. Esse cara não sabe que eu trabalho na secretaria municipal de trânsito!”. Pegou um bloquinho e anotou o número do carro. Preciso dizer que ela desceu para pegar outro coletivo para Duque de Caxias? E ainda fez um sinal para a menina – tipo, uma trolha bem grande... Visualizou?    


Resta algum bom senso no mundo?

Pára o mundo que eu quero ir pra Lua. No dia em que Hosni Mubarak renuncia, o planeta Terra comenta que o novo single de Lady Gaga, “Born This Way”, é a cópia da música Express Yourself, de Madonna. Alguma coisa está fora da ordem, como previu Caê em 1991. O tempo passou e a futilidade aumentou. No Twitter, Gaga é um dos assuntos mais comentados do dia, à frente do anúncio da renúncia do presidente egípcio, que levou multidões à euforia na capital Cairo e em outras cidades do Egito. O líder de 82 anos estava no poder desde 1981. Enquanto isso, no mundo jovem da net, o YouTube já está com vários vídeos dos vagabundos de plantão comparando “Born” com “Express”. Sem sacanagem, minha gente, o que importa se a música é plágio? Desde quando temos algo original? Foda-se! Alguém ainda pensa em ter filhos com um mundo desses?



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Arpoador virou "Serra Pelada" neste verão

Os cariocas assíduos da praia do Arpoador no ano passado à noitinha passam longe daquelas areias nesta estação. É que com tanta propaganda na mídia, o lugar ficou impraticável. Até Joel, o saxofonista de jazz e blues, que sempre fica no comecinho da calçada admirado pelos pedestres, está irritado com a intromissão de outros “artistas” de rua, como um sujeito que circula pelo restaurante Azul Marinho, do Hotel Arpoador, munido de um surdo – ou seja, o maior e mais grave instrumento da bateria. Estive por lá no último sábado (05/02) para constatar o caos e minha amiga Bia Vaz até gostou do rapaz e deu "dé real"... Enquanto Joel ainda ganha empatia dos atuais frequentadores, o invasor e seu surdo dividem opiniões, sendo a na maioria das vezes, rotulado de “muito chato” ou "o pela saco do arpex". O assessor de imprensa João Felipe Toledo, acostumado a encontrar conhecidos e gente linda por ali no mesmo período do ano passado, ficou deslocado quando percebeu que o cenário humano mudou, e muito: “Nossa, parecia Serra Pelada!”, disse, referindo-se à corrida do ouro na década de 80 na região do Pará, onde gente do País inteiro se apinhava no maior garimpo a céu aberto do mundo. Por hora, parte da turminha do verão passado achou outro canto, lá no posto 12, no Leblon.  



Quem dera pudesse fugir voando....