sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mais uma no coletivo

Não tenho culpa. As melhores histórias, pelo menos as que eu presencio nos ônibus, são as coisas mais interessantes que acontecem ultimamente em minha vida. E olha que eu costumava ter uma vida emocionante... Estava eu na linha 438 – Leblon x Vila Isabel – quando sinto um burburinho de umas passageiras que sentaram próximas ao motorista. Meire, o nome da dita, reclamava que o senhor ao volante parava em todos os pontos enrolando a viagem dos trabalhadores que iriam, ainda, para a Baixada e redondezas. Pelo que me concerne, ônibus param em paradas de ônibus. Redundâncias à parte, o comandante do veículo ignorou Meire – ela era ruiva, estava com um tubinho preto e salto altíssimo. Visualmente não parecia daquelas moças propícias a barracos gratuitos – as aparências enganam. 

Em certo ponto, subiu uma adolescente que presenciou a fúria da ruiva e disse que aquilo não era táxi – não diretamente, claro. Me diz, pra quê? Mexeu com os brios da fofa. Até a mãe tentou acalmá-la, no que ela, aos berros, dizia, “mãe, não queria falar alto, mas a senhora é surda. Esse cara não sabe que eu trabalho na secretaria municipal de trânsito!”. Pegou um bloquinho e anotou o número do carro. Preciso dizer que ela desceu para pegar outro coletivo para Duque de Caxias? E ainda fez um sinal para a menina – tipo, uma trolha bem grande... Visualizou?    


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