Tem dias que não deveriam existir. Não sou uma pessoa tipicamente pessimista, longe disso. Mas porra, juro, o montante de acontecimentos errados podem se concentrar em 24h. E olha que a Cabala diz que você colhe os frutos que plantou. Eu devo ser uma pessoa ruim, como diz meu amigo João Ximenes, e olha que ele é amigo... Há um tempinho abandonei meu carro na garagem, seja para economizar gasolina, seja para poupá-lo do trânsito infernal (não, não sou daquelas que nutre sentimentos por seres inanimados, sou um pouquinho desprendida) e com isso manter em dia minha leitura e meus dois neurônios acesos. Eis que numa quinta-feira, resolvo ir de carro para o trabalho. Poucos metros de chegar à garagem, um motoboy bate na minha porta traseira. Uns arranhões e uma entrada básica. Liguei para a firma do rapaz e a empresa disse que não tinha responsabilidades porque aluga a moto, ou seja, não posso cobrar o prejú do boy, até posso, mas a conta bancária dele deve ser pior que a minha e minha franquia é bem cara. No dia seguinte, numa sexta-feira que nem era 13, acordo com uma dor terrível no olho direito. Depois de padecer com uns três ataques insuportáveis, fui ao médico. Tinha arranhado a córnea, e de acordo com o oftalmo, eu dormi de olho aberto. Medo! Decidi resolver uma pendenga no banco, e recebo a notícia de que minha conta está bloqueada, devido a um débito no Unibanco que eu nem sabia que tinha, e já que o Itaú comprou a empresa, automaticamente a dívida foi para minha conta atual, o que me causou um rombo, claro, porque os putos descontaram a dívida do dinheirinho singelo que havia nela. Ok. Negociei com o banco e eles vão me tirar o coro – banco não perde dinheiro. Já a gente...
Com essa montanha russa de emoções, à noite ainda tinha uma passagem marcada para as 23h50 na rodoviária de Niterói para Miracema, cidade natal. Chegando lá, em cima da hora e com a maior boa vontade de Silvinha, fui pegar a passagem que meu pai tinha comprado pela net. O homem do guichê virou e disse que sim, tinha uma passagem no meu nome, mas para dia 17/10 e não 17/09. Boa. Quando fui falar com Silvinha, que já tinha levado a mala para o motorista e ele tascou dentro do bagageiro, soube que tinham mais seis lugares vagos, daí foi uma correria dos agentes da 1001 para conseguir trocar e tals. Ok. Consegui.
Quando me acomodei, era do lado de um ser com um bafo de cachaça. Normal depois do dia lindo. Mas o sujeito queria puxar papo. Me virei e fingi de morta. Mas num ônibus que passa por Nova Friburgo, fingir de morta não é figura de linguagem, se é que vocês me entendem. A) o bus não tinha ar condicionado, mas sim janelas, daqueles bem antigos, com cadeiras que inclinam pouco – o barulho das janelas nos buracos da estrada parece terremoto; B) o casting dos assentos era sofrível e olha que não sou preconceituosa; C) roncos ecoavam pelo corredor, assim como barulho de uma criança, que diga-se de passagem só aturo da família; D) para piorar só um pouquinho, parecia que o motorista conhecia todos os passageiros, porque parava a cada esquina no melhor estilo cata-jeca; E) chegando em Itaocara, ao primeiro indício de estrada realmente (porque o resto era tudo dentro das cidadezinhas ínfimas), o ônibus me para e entra um sujeito pelo corredor – de fora vejo um taxi parado – ele tinha esquecido uma bolsa e foi pegar; F) sim, já tinha me esquecido da mulher que dava gargalhadas nas primeiras poltronas...tava rolando um stand up comedy e nem me convidaram... G) chegando em Miracema, sem pregar os olhos de córnea machucada, me deparo com o sujeito bêbado, que ia pegar uma baldeação para Natividade. Isso mostra que reclamar não é melhor saída já que a vida pode não ser tão injusta com você em certos momentos...

hahahha
ResponderExcluirimaginei vc no caminho de Miracema, sentadinha ao lado do bebum....... q figura.......amo vc, bjs, saudades