Não saio há muito tempo. O que gera revolta entre os amigos e um certo foda-se também, já que o tratamento que recebi depois de tanto tempo não foi lá dos mais acalorados. A máxima que costumo dizer é que um dia foi notícia e hoje sou boato, na realidade, se consumiu. E não fico nem um pouco frustrada, porque os tempos mudam e as prioridades também. A festa Buati, no clube Erótika, em Copa, estava, como sempre, incrível...Lotada de figuras das antigas - isso é coisa de gente velha - e a nova geração, toda montada no figurino brilho. Amo os organizadores, José Camarano e Marcelo Argento, que conseguiram fazer em uma festa só tudo que o povo gosta. Sim, os pontos negativos continuam sendo a fila para entrar, o atendimento, o lugar cheio e o suplício para sair do buraco. Mas quando você conhece as pessoas certas, tudo fica mais fácil. Não tenho como reclamar, como a maioria das pessoas. Coitadinhas....
Como exemplo, leio hoje um texto do Mauro Ventura de uma pagante que estava tentando curtir o Bailinho, em São Paulo. Coitada.... Não é in.
-Aconteceu com uma conhecida. Sábado teve comemoração de três anos da festa Bailinho, de Rodrigo Penna. Foi no Espaço Acústica, na Lapa. Ela narra o pesadelo:
"A produção do Bailinho teve a maravilhosa ideia de fazer o evento numa boate, que por sinal inaugurava no mesmo dia. O esquema da casa era de cadastro para fazer um cartão-consumo, com a finalidade de pagar o que fosse consumido somente ao final. Só havia quatro guichês para o cadastramento e umas 700 pessoas querendo entrar.
Isso gerou uma fila de mais de duas horas para as pessoas que já tinham ingresso na mão, comprado antecipadamente. Só consegui entrar à 1h40m, depois de duas horas de indignação e desrespeito numa fila.
Não existia organização nenhuma na fila. Pedi que o segurança, contratado pela equipe do Bailinho, ajudasse a organizar. Ele me disse que não estava ali para isso e ainda me chamou de bêbada e louca por estar há tanto tempo naquela fila. Daí pergunto: para que o segurança estava lá então? Qual o papel de um? Não é manter a ordem? Porque fui insultada quando só estava pedindo para que ele fizesse o trabalho dele?
Passada a primeira fila, de quase duas horas de irritação e até mesmo de informações com policiais, que foram chamados por uma pessoa indignada, passamos para uma segunda fila, a de cadastramento na casa. Nessa hora tentei falar com Daniela, uma das responsáveis pela organização do Bailinho, dizendo que era um desrespeito ela deixar passar na frente de todo mundo, na cara dura, atores/atrizes; 'poderosos' que têm nome em listas amigas; amigos dos 'poderosos'; e as três meninas que haviam chamado os policiais.
Óbvio que não deu em nada. Daí pergunto de novo: quem mantêm a festa, os poderosos acima citados ou a massa que paga R$ 60 a meia entrada ou R$ 120 inteira, sem consumação? Por que essas pessoas têm o direito de furar a fila sem que nada seja feito? Quem classificou que esses poderosos são melhores do que os pobres mortais que estão na 'tentativa de fila'? Por que muitas pessoas que como eu estavam na fila não se manifestavam? Será que sempre a maioria continuará apática?
Tentei falar com Rodrigo Penna sobre o acontecido e reclamar, como cidadã 'não poderosa', do descaso de tratamento. Eis que ouvi as seguintes palavras:
- Querida, quero curtir a festa.
Respondi:
- É, você e seus amigos famosinhos com certeza estão curtindo, agora quem na verdade banca isso aqui está lá fora indignado. Com certeza não está curtindo, mas achando uma merda.
Aí ele concluiu, tal qual um lorde:
- Se você fosse homem te mandava tomar no cu, mas já que você é mulher vai só à merda mesmo.
Não tive reação. Ainda assim pergunto: será que ele pensou que só ele e 'os seus' estavam de fato se divertindo?
Já em casa, tentei mandar e-mail para o Bailinho demonstrando minha insatisfação e indignação com o modo como fui tratada. Ao clicar em enviar, advinha o que apareceu? 'Sua mensagem será remetida para a produção do Bailinho para análise e posterior publicação.' Tem alguém que acha que vai ser publicado?
Será que devemos continuar bancando uma festa cuja produção não se preocupa com o público e, no fundo, seleciona quem deve ter facilidade de acesso? Será que vale se desdobrar para comprar um ingresso antecipadamente e passar por tamanha humilhação? Será que Rodrigo Penna e sua trupe, que se dizem 'adeptos do livre dançar', merecem nosso dinheiro e nosso tempo precioso?".
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