Sou assídua de coletivos. Desde que coloquei na balança o dinheirinho gasto com gasolina, estacionamento=flanelinhas insuportáveis, Lei Seca e afins, resolvi me locomover como a maioria dos mortais. E desde então, acontecem coisas que só quem pega ônibus sabe. Moro em Niterói e trabalho na Gávea, que me obriga a ficar à mercê de somente uma linha, a 751D, o antigo 996, que dá uma volta ao mundo, ou seja, gasto 1h30 para chegar ao destino. O lado bom é que a minha biblioteca mental está ficando atualizadíssima. O outro lado é que é o problema. Ter que lidar com o coletivo, no sentido de que ninguém respeita o espaço do outro. Não literariamente, mas literalmente. Coisas costumeiras no 1001: A) é normal surdos-mudos pegarem o mesmo veículo para descerem em Laranjeiras, onde fica o colégio especial. Quem pensa que eles são silenciosos, se engana. Ao pegar o carro no centro de Niterói, os lugares já estão quase todos ocupados, e alguns vão em direção ao fim, onde eu sento, e outros ficam próximo ao motorista, o que gera um trepidar de mãos pra lá e pra cá incessante. Eles falam (articulam) pra cacete e como não ouvem o barulho, a gente que se foda! B) também no centro, motoristas de outras cias pegam uma caroninha até a rodoviária, e nossa... Putz... Sabe o filme “Click”? Rezo por um controle remoto universal para colocar todos em ‘mute’. Parece que estão no quintal de algum pagode no fim de semana. A gente não é obrigada a saber que um dos companheiros de jornada não paga a pensão da mulher e que ela é uma vaca. C) Conversas alheias ao celular. Parece que a hora é a predileta. Colocar o papo em dia com os amigos ou comentar que o fulano morreu na sala de estar na noite anterior e a sobrinha não sabia o que fazer, além de chamar a emergência e esperar a remoção... Claro, fora discussão com namorado, papo meloso entre namorados, papo de como está atrasado por conta do engarrafamento etc. D) Teve ainda uma vez em que uma criatura entrou e sentou do meu lado e apagou. Nem o chacoalhar do trajeto – tem dois pontos que você praticamente faz um duplo carpado – resolveu. A fofa caía com a cabeça no meu ombro o tempo todo e eu permaneci dura...de medo. Quando vi que um outro assento vagou, pedi licença educadamente, e óbvio, não adiantou. Duas senhoras que estavam atrás intervieram e sacudiram a garota. Só assim para ela descobrir que o ponto dela havia passado há muito tempo. E) Não vou entrar no mérito dos celulares com mp3 e dos próprios mp3/4/iPods. Realmente, as pessoas não têm educação. Se não são os adeptos do pagode e funk (sem fone, no auto-falante), são umas bichinhas que ouvem bate-cabelo no último volume (com fone) e dublam a música tocada, e você só ouve aquele tun-ti-tun-ti-tun-ti-tun a viagem inteira. Bom se tiver outra bichinha do lado, eles já marcam a próxima The Week. F) O prenúncio de uma viagem conturbada é quando no ponto onde você entra, já tem um adolescente com um game-boy nas alturas. Daí pra frente, pode acreditar que tudo vai ser um pesadelo!

Nenhum comentário:
Postar um comentário